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por | 15 / set / 20 | Giro TE, Inventura

A transformação rápida e constante de todas as coisas pede novas competências e habilidades que a educação tradicional não é mais capaz de proporcionar

Foram necessários cerca de 200 mil anos para que o mundo atingisse a marca de um bilhão de habitantes e apenas 200 para alcançar os sete bilhões e, ao que tudo indica, no ano de 2050 vamos chegar aos 10 bilhões de pessoas. Essa é apenas uma das várias macrotendências que mostram que estamos vivendo a era exponencial, mas o que isso significa na prática?

Para Fabio Zsigmond, co-founder do Mundo Maker, muita coisa, afinal a velocidade que tudo tem mudado no mundo, transforma a forma da sociedade viver, trabalhar, se relacionar e também estudar. “Se analisarmos os dados com profundidade vamos perceber que, a partir de 1950, todas essas macrotendências que vão do consumo de água ao investimento estrangeiro aceleraram demais. E nós que nascemos depois dessa época acabamos não percebendo esse movimento porque estamos dentro disso, passamos a achar que sempre foi assim, quando na realidade nunca foi”, explica.

Um exemplo mais atual sobre o crescimento exponencial está na pandemia de covid-19 que trouxe para o dia a dia a palavra exponencial com mais frequência para explicar o crescimento rápido e não linear do contágio. Desde o registro do primeiro caso da doença em dezembro na China até agora são aproximadamente 14 milhões de pessoas identificadas com a doença. “Isso são as registradas, porque na verdade são muito mais. São números como estes que mostram os crescimentos exponenciais que a gente não tem muita sensibilidade para conseguir perceber, mas esse é o mundo que a gente vive”, completa.

Mas, saber que o mundo está se transformando num ritmo acelerado e cada vez num espaço mais curto de tempo pode ajudar a contextualizar muita coisa e entender principalmente a complexidade dos tempos atuais e futuros. “O primeiro passo é entender o que é exponencial porque quando falamos de educação falamos dentro desse cenário. É nesse mundo que vivemos: incerto e muito complexo, por isso para contextualizar a Educação 4.0 é preciso entender esse conceito”, reforça.

Fabio Zsigmond, co-founder do Mundo Maker avalia o mundo exponencial e a importância de inserir uma Educação 4.0 para aproximar o aluno do mundo real.

 

Portanto quando se fala da era exponencial também se fala da complexidade, afinal o mundo é diverso. “É preciso pensar na diversidade, nas diferenças entre as línguas faladas, religiões, renda, etc.”, reflete.

Somado a isso, ainda existe um cenário econômico que também acompanha essa evolução desde os anos 1700. “Passamos por quatro revoluções industriais: da máquina a vapor, eletricidade, depois da computação e por fim da inteligência artificial. Isso também ajuda a ditar e a moldar como vamos viver e que habilidades e competências precisaremos desenvolver agora para atuar num futuro muito próximo”, conta.

Não é possível voltar, as transformações vão continuar acontecendo e modificando a forma de viver. “Se continuarmos a observar esse mundo ainda vamos chegar a computação quântica e perceber que a maioria de nós nem sabe o que isso significa, mas os poucos de nós que sabem já estão conseguindo fazer esses aparelhos existirem e são eles que vão processar informações que vão lidar diretamente com os destinos das nossas vidas. Portanto, se não considerarmos minimamente todos esses aspectos vamos ficar e deixar os alunos a margem de parte do desenvolvimento humano”, alerta.

 

EDUCAÇÃO 4.0: COMO ELA MUDA A APRENDIZAGEM

 

A EDUCAÇÃO COMO CONHECEMOS NÃO FAZ SENTIDO NO NOVO MUNDO

Uma experiência feita pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), conectou alunos a equipamentos que mediam suas ondas cerebrais durante todas as atividades realizadas durante uma semana. Na pesquisa é possível identificar que o cérebro dos alunos durante os tempos de aula e o sono são muito próximas. “E isso tem uma explicação. Dentro de uma sala de aula em ambiente de tradicional ela praticamente coloca os alunos em um estado passivo onde ele recebe, mas  não reflete, não questiona, desta forma o cérebro está praticamente parado, até dormindo ele se mexe mais do que numa aula tradicional”, acrescenta Fábio.

O fundador destaca outra questão importante. “Muitas vezes temos pessoas que sabem. Elas sabem responder um prova teoricamente, mas na hora que vai para realidade tentar aplicar o conhecimento elas não conseguem”.

Ele atribui isso, em parte, por conta da estrutura que parte de um currículo que é despejado no aluno, sem muito questionamento do porquê isso existe e o que fazer com isso, fazendo com que as coisas comecem a ficar um pouco sem sentido.

“Para mudar esse resultado precisamos mudar o olhar que a gente tem para forma como propomos os  caminhos de aprendizagem para a educação. A proposta passa, principalmente por inverter esse olhar. Ao invés de sair do currículo para chegar no aluno devemos sair do aluno para chegar no currículo”, sugere.

Fabio destaca que são esses cenários que precisam ser levados em consideração quando se fala de educação. “Como a gente consegue prover caminhos para que esses jovens consigam lidar com esse meio ambiente, com esse espaço que existe e, fundamentalmente, dentro desse momento da 4ª Revolução Industrial é o grande ‘x’ da questão”, avalia.

O fundador do Mundo Maker completa dizendo que hoje já se sabe que aprender a programar é tão importante quanto aprender a sua língua materna. “Por isso, quando falamos de Educação 4.0 é tão importante que dentre outras competências, as chamadas humanas (cooperação, trabalho em equipe, etc), a gente também desenvolva uma parte técnica que é conhecer como se programa um computador e entender como funciona a inteligência artificial, a análise de dados para que os alunos possam optar se querem participar ativamente disso ou em que lugar desse cenário vão estar”, explica.

Para ele é importante a escola estar atenta que quando se fala em trabalho não é possível saber  que tipo de necessidade humana e que tipo de trabalho vai ser ofertado daqui para frente e traz alguns dados para corroborar essa informação.

  • 65% das crianças de hoje irão trabalhar em alguma coisa que ainda não foi inventada.
  • 85% das atividades que elas pretenderão trabalhar em 2030 ainda não existem.

Os dados são de uma pesquisa da Dell Computers.

ASSISTA A CONVERSA DO FABIO ZSIGOMND SOBRE AS NOVAS TECNOLOGIAS E A EDUCAÇÃO 4.0

Portanto, se questionar quais são as competências necessárias para conseguir receber esse mundo e atuar nele é também um questionamento que a escola deve se fazer. Fabio destaca três competências fundamentais que a escola – principal ator na educação formal – deve levar em consideração para começar a oferecer caminhos que estejam alinhados com esse mundo.

1º – APRENDER A APRENDER: a gente tem que ter uma possibilidade de conseguir enxergar aonde tem o conteúdo ou o acesso ao que preciso aprender, saber discernir boas fontes, saber fazer boas perguntas.

2° – APLICAR O CONHECIMENTO: o que eu aprendi, como eu aplico? É preciso que o aluno saiba transpor esse conhecimento para realidades diversas.

3º – EXPLORAR COISAS NOVAS: só é possível aprender de verdade fazendo, explorando, criando e errando.

Fabio continua explicando que a escola, ao ajudar a desenvolver essas três competências, provavelmente vai passar para o passo seguinte que é a ajudar a formar um agente inovador.

 

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QUAIS AS COMPETÊNCIAS QUE A EDUCAÇÃO 4.0 DESENVOLVE NUM MUNDO EXPONENCIAL, COMPLEXO E IMPREVISÍVEL?

A Educação 4.0 precisa ir para além do termo da moda, é preciso que ela proporcione o desenvolvimento de competências como o aprender a aprender, aplicar o conhecimento, explorar novos territórios, ser um agente inovador.

Por isso, dentro das propostas mão na massa que a Educação 4.0 propõe é preciso que as atividades, métodos, formas desenvolvam competências muito buscadas hoje em dia, mas que são difíceis de aprender num formato tradicional de uma aula expositiva. “Aprender essas soft skilss é muito natural num contexto de fazer, por isso cada vez mais tem se falado em educação maker e Educação 4.0”, reforça.

COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS NO NOVO MUNDO

  1. Pensamento crítico
  2. Cooperação
  3. Planejamento
  4. Criatividade
  5. Comunicação
  6. Resolução de problemas
  7. Autonomia
  8. Trabalho em equipe
  9. Aprender com erros
  10. Aumento da autoestima
  11. Negociação

“Precisamos criar uma forma de mediar o aprendizado diferente do que a gente aprendeu na escola”, completa.

Oportunizar um aprendizado com significado e baseada em projetos pode fazer a diferença entre gerar ou não o conhecimento.

 

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Mas como é possível propor um caminho diverso desse?

1º passo – Entender o contexto do mundo que vivemos

2º passo – Partir do ponto de vista do aluno, 

3º passo – A educação precisa fazer sentido.

 

Crianças aprendem melhor quando estão ativamente engajadas na construção de algo significativo para elas, seja um poema, um robô, um castelo de areia ou um programa de computador.

Saymon Papert

“Portanto quando os alunos fazem alguma coisa que faça sentido para eles isso potencializa a construção do conhecimento”, completa Fabio.

4º passo – Método socrático, aprendizagem ativa: o professor pergunta e usa muito mais a pergunta do que a resposta como forma de ensinar.

5º passo – Mindfulness: para manter a atenção plena pode-se começar com um exercício de meditação.

Fabio ainda destaca outro método que costuma usar, o agency by design que trabalha a observação, a exploração e criação. “Faça perguntas como: o que você estava vendo? O que você acha que isso é? Como você acha que consegue usar isso? Com as perguntas o aluno vai tentando entender o que ela vê e como ela pode aplicar o que ela viu”, conta.

Outras formas de modificar esses caminhos são apresentadas por Micth Resnick, criador do Scratch e do termo “aprendizagem criativa”. Resnick traz quatro pilares que devem ser explorados.

  1. Aprendizagem baseada em projetos
  2. Postura do brincar
  3. Paixão ou significado
  4. Aprendizado em pares, colaboração

O fundador do Mundo Maker reforça esses pilares contando que a prática deve vir antes da teoria. “Nós sempre pensamos que a teoria vem antes. É assim que fazemos em boa parte das escolas e prática, quando acontece, acaba sendo muito secundária: você levar os alunos para um laboratório, testa aquilo que foi dito antes e vê se dá certo, não havendo uma experimentação, uma exploração de fato”.

Ele destaca que os espaços de aprendizagem também estão mudando e precisam mudar, mas mais que isso é importante entender que “maker não é um espaço é uma atitude, é uma forma empreendedora de fazer, vem de dentro, colocar em ação, trazer suas ideias pra realidade”.

 

COMO O INVENTURA TEM AJUDADO A TRANSFORMAR ISSO EM REALIDADE?

“O Inventura é um programa que apoia a aplicação da Educação 4.0 de uma forma muito prática”, explica Fabio. Utilizando a ciência da computação como linha dorsal e por meio de projetos e desafios ele conta que nunca o Inventura vai dar uma aula de programação, mas, por exemplo,  propor  criação de uma narrativa. “Mas para representar essa narrativa você vai precisar representar os personagens e cenários e aí sim você vai utilizar o equipamento e software para animar esses personagens. Então a programação vai entrar como um acessório dentro de um projeto”, completa.

“O aluno vai criar uma mini estação meteorológica, a programação vai entrar ali.

Quer ver e entender como funciona um radar fotográfico, vai poder com a ajuda da programação”.

Portanto, o Inventura oferece uma possibilidade multidisciplinar para trabalhar os mais variados conteúdos, o que proporciona o desenvolvimento de todas essas competências ligadas à Educação 4.0. “O programa acaba abraçando todas as questões que trouxemos serem importantes para viver nesse mundo exponencial, complexo e incerto desde a soft skills até inteligência artificial, coding, IoT”, completa.

“É importante ter em mente que o significado é o combustível da curiosidade que é o motor da aprendizagem, logo é preciso repensar as estruturas, espaços, caminhos e olhar atentamente para o mundo de hoje e de logo mais para ajudar a formar esses alunos dentro do seu mundo”, finaliza.

por | 15 / set / 20 | Giro TE, Inventura

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