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Onde tem Matemática? Em tudo!

Da natureza ao uso do telefone, de receitas a dirigir, a Matemática aparece diariamente em tudo que fazemos e, por isso, não pode ser mais um tabu para os estudantes

“Eu nunca vou usar isso na vida!”. Atire a primeira pedra que professor de Matemática nunca ouviu essa frase. Mas a verdade é que ele vai utilizar e aqui estão algumas das aplicações cotidianas dessa área do conhecimento:

  1. Organizar uma festa: a hora de calcular a quantidade de comida e bebida é sempre um desespero. Google daqui, pesquisa dali. Um exemplo entre as perguntas mais buscadas do assunto na internet é “como converter mililitros em litro?” para saber quanto refrigerante comprar.
  2. Música: o primeiro pensamento pode ser que ela não tenha nenhuma ligação com a Matemática, mas ao aprofundarmos esse olhar vamos descobrir que a criação das escalas musicais foram feitas utilizando conceitos e ideias matemáticas, como a razão áurea. A forma como a corda do violão vibra gera uma nota musical diferente e cada uma delas pode ser representada por frações.

  3. Financiamento, transações bancárias: descobrir qual melhor tipo de compra, se é mais vantajoso pagar à vista ou parcelar aplicando o dinheiro para que ele renda. Todas essas análises têm muita Matemática.

  4. Dirigir: mesmo que você não perceba a Matemática está aqui. Seja para identificar placas de trânsito, fazer uma baliza e até mesmo calcular rapidamente a distância para atravessar a pista. Ou ainda calcular o gasto de uma viagem de acordo com a distância, preço do combustível x rendimento do carro, tempo de deslocamento…já deu para entender né?

A lista vai longe, das situações mais casuais às mais complexas, fato é que a Matemática está mais presente do que possamos imaginar. Entretanto, por trás da frase que pode soar apenas como ‘corpo mole’ dos alunos, a frase é síntese do desafio que os educadores têm para aproximar essa área do conhecimento da realidade dos estudantes.

A prova disso é que, no questionário aplicado pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), a maior parte dos alunos brasileiros respondeu que gosta de estudar Matemática. Ao término da educação básica, no Ensino Médio, 57,8% dizem gostar de estudar essa área do conhecimento. Então por que esse gosto não se reflete nos indicadores de desempenho do país? Ou por que a área ainda é tida como o ‘terror dos estudantes’?

A situação contraditória tem várias explicações e uma delas, de acordo com a professora Maisa Cristina Carvalho, formada em Matemática e especialista em jogos matemáticos, é que o ensino no Brasil é ainda muito conteudista, voltado para a teoria e distante da vida dos alunos. 

“É preciso deixar a Matemática mais leve e divertida, quanto mais próximo do dia a dia do aluno, mais ele se interessa”, explica a professora.

Maisa acrescenta que essa área do conhecimento exige treino e estudo. “É fazer e refazer os exercícios até entender. Nesse sentido, para quem já está no Ensino Médio, a Matemática é uma aplicação do que se aprendeu nos anos anteriores, por essa razão se torna mais fácil”.

Onde estão os principais desafios da Matemática na educação brasileira?

A maior dificuldade ainda é encontrada nos anos iniciais do Ensino Fundamental. As falhas de aprendizagem nesta etapa acabam refletindo na formação final do aluno. “Quando a base nos anos iniciais do aluno não é boa, tudo é difícil e trabalhoso. Para se ter uma ideia tenho aula com sexto e sétimo ano, quando o aluno não sabe a tabuada ele normalmente fala que não gosta de matemática”, exemplifica.

Uma pesquisa recente feita pelo governo de São Paulo com mais de 20 mil alunos da rede estadual apontou que o desempenho em Matemática dos estudantes no 5º ano do Fundamental despencou com a pandemia. O resultado do Saeb em 2019 mostra que nos anos iniciais a pontuação foi 243 e a projeção para 2021 era de 250 pontos. Entretanto, a pesquisa registrou 196 pontos, mesmo número de 14 anos atrás. 

 

PESQUISA PROJETA DÉFICIT QUE O ISOLAMENTO SOCIAL PODE TER CAUSADO NOS ESTUDANTES

 

“Infelizmente essa é uma realidade que vamos precisar enfrentar, principalmente alunos com conexão ruim. É um entra e sai da aula que faz o estudante perder o interesse. São poucos os alunos que acompanham a aula junto com você. Alguns só estão presentes mas não participam, não tiram as dúvidas. E muitas vezes você percebe que a prova foi feita por outra pessoa. Quando voltarmos eles terão que aprender tudo”, preocupa-se a professora.

Letramento em Matemática é definido como a capacidade de formular, empregar e interpretar a matemática em uma série de contextos, o que inclui raciocinar matematicamente e utilizar conceitos, procedimentos, fatos e ferramentas matemáticos para descrever, explicar e prever fenômenos.

Definição Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA)

 

“O aluno com facilidade em Matemática tem raciocínio rápido, isso vai ajudar em qualquer área que resolva seguir. Portanto, aprender é vital que os estudantes sejam letrados em Matemática com qualidade e efetividade”, reforça.

Como tornar o aprendizado da Matemática atrativo e divertido?

Matemática e diversão na mesma frase pode parecer até incoerente, mas a realidade pode ser diferente. 

“Sempre que possível utilize exemplos do dia a dia do aluno e inclua jogos. Toda vez que fazemos alguma atividade diferente incluindo o conteúdo eles dizem que estão gostando de estudar Matemática, essa é a prova de que não é sobre a área de conhecimento e sim sobre a forma com que ela é ensinada”, finaliza.

Vanessa Moraes, coordenadora pedagógica da Tecnologia Educacional, também reforça a importância de trazer inovação do mundo para as salas de aula. “Com o tempo os alunos foram mudando, as necessidades do ser humano também. Que aluno hoje vive sem um smartphone? Houve um tempo que era proibido levar calculadora para a escola e era uma ousadia tremenda tentar burlar as regras e usá-la por baixo dos livros. Hoje, para muitas escolas, ela faz parte do material escolar. E, em outras, nem faz, pois é permitido o uso do smartphone em sala”, relembra.

O exemplo de Vanessa mostra como as instituições de ensino, aos poucos, têm se adaptado às ferramentas que facilitam o aprendizado, entretanto, ela reforça que ainda existe um longo caminho a ser percorrido. “Não é preciso mudar radicalmente e nem abandonar o processo. É preciso priorizar o raciocínio, a busca por soluções inteligentes, a argumentação e a integração das atividades, além de desenvolver habilidades voltadas para a resolução de problemas”, incentiva.

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