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A preparação de gestores em todo o mundo para garantir o aprendizado contínuo dos alunos em qualquer situação

Diante do cenário cada vez mais próximo do fechamento das escolas, o desafio da comunidade escolar tem sido encontrar alternativas para continuar desenvolvendo o ensino

Quando 2020 começou você nem imaginava que o mundo praticamente pararia para enfrentar uma pandemia como esta. Provavelmente nos cenários mais adversos que você estimou estivessem a crise econômica, a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos e finalmente a aprovação do Brexit, mas um vírus que afetaria a saúde mundial não.

O fato é que o coronavírus – Covid-19, descoberto em dezembro de 2019, tem obrigado a repensarmos toda a estrutura social, e a vida escolar também faz parte desse processo. Gestores e diretores têm uma preocupação a mais quando o assunto é a pandemia, mais que ensinar formas de se prevenir, é preciso encontrar soluções que garantam o aprendizado contínuo dos alunos em caso de fechamento das escolas, reposição da carga horária, investimentos e uma série de preocupações extras para superar esse momento.

Entretanto, a necessidade do afastamento temporário das aulas físicas abre uma discussão para um campo em crescimento: o ensino híbrido e a distância. 

Países afetados pelo Covid-19, como a Itália, por exemplo, têm aplicado o uso destas metodologias, mesmo que de maneira improvisada. A professora italiana Vanessa Bertaina começou no início de março a conversar com seus alunos apenas pela internet. Ela criou grupos no WhatsApp e também faz chamadas por Skype para passar o conteúdo e manter o contato, e assim tem contornado a situação momentânea que o país tem enfrentado.

OUTRAS FORMAS DE EXPLORAR O ENSINO HÍBRIDO E A DISTÂNCIA

Com 60 milhões de pessoas isoladas em suas casas, algumas iniciativas estão surgindo na Itália – segundo país mais afetado depois da China -, para assegurar que as crianças não tenham seu aprendizado interrompido. Na linha da iniciativa bacanas que comentamos, outro projeto surgiu utilizando o Facebook para levar educação mesmo a distância.

Para isso acontecer alguns fatores foram determinantes: 

  • Ser simples.
  • Criar uma rotina para os alunos.
  • Manter o contato.
  • Aproveitar as oportunidades de crise.

 

Na prática, a página Smart School Veneto concentra as atividades que os alunos devem fazer e fornece um vídeo explicativo para mostrar como os alunos devem ingressar nas suas turmas. Os pais são comunicados por WhatsApp. As aulas duram uma hora, 25 minutos são de exposição do assunto pelo professor e o restante de interação com os alunos. Depois os alunos têm cerca de duas horas para realizar atividades.

O mais interessante na iniciativa é que mesmo professores muito tradicionais que inclusive não possuíam contas em redes sociais, mudaram seus comportamentos para se adequar a realidade que exigia um ensino com tecnologias e a distância. 

 

ACELERANDO UMA TENDÊNCIA

Utilizar a tecnologia para promover o aprendizado não é uma novidade, mas as formas de incluí-las na rotina escolar vem, geralmente, cercada de algumas barreiras, algumas vezes por parte dos professores que ainda incluem ela totalmente no plano de aula, outras pelos acessos ainda que restritos à internet pelos alunos ou até mesmo pelos pais que não sabem como apoiar de maneira certa o uso.

O termo ensino híbrido surgiu em meados dos anos 2000 voltado para empresas, mas a metodologia evoluiu e tem sido utilizada em sala de aula. “Estimular o ensino híbrido é mais que desenvolver o conteúdo. Ele permite que o aluno desenvolva outras competências como criatividade, liderança e capacidade de aprender de forma compartilhada, habilidades cada vez mais requisitadas pelo mercado de trabalho”, comenta Daniel Bandt, consultor pedagógico da Tecnologia Educacional.

Outras vantagens trazidas pelo ensino híbrido que inclui o ensino a distância é a possibilidade de personalização. “Ao utilizarmos diferentes recursos e tecnologias, podemos compreender a necessidade de cada aluno focando no que precisamos reforçar no processo de aprendizagem”, completa.

Dificuldades como formação contínua e adesão dos professores, infraestrutura educacional, modos de avaliação são alguns dos desafios a serem enfrentados na aplicação dessa prática. “Talvez tenhamos uma oportunidade interessante de iniciar as práticas de ensino híbrido com a chegada do Covid-19. Com a possibilidade real de fechamento das escolas vamos precisar garantir o ritmo de estudo e o acesso a educação, então por que não começarmos essa mobilização”, ressalta o consultor.