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por | 23 / set / 20 | Giro TE, Mesa Educacional

Escolas vão precisar repensar mais que o espaço: irão precisar pensar no caminho, no acolhimento e nas formas de explorar a potencialidade de cada um unindo o lúdico as inovações educacionais

Se para os alunos maiores se adaptar à nova rotina de estudos a distância foi um processo difícil, para as crianças da Educação Infantil e Ensino Fundamental Anos Iniciais  os desafios de manter o vínculo com a escola foram além, já que incluir uma rotina de estudos nem sempre é possível, seja pela pouca idade, pela metodologia ou por necessitar do envolvimento constante dos responsáveis.

A falta da presença dos professores e das tarefas realizadas em sala de aula acabam preocupando os pais com filhos em fase de alfabetização. Apesar de compreender esse sentimento, Luca Rischbieter, que é consultor pedagógico em tecnologia e especialista em currículos para a Educação Infantil, acredita que, nesse momento, é muito importante buscar enriquecer o universo da casa das crianças para mantê-las estimuladas.

 

O consultor pedagógico acredita que manter o espaço da casa rico e lúdico é o melhor incentivo que a criança pode ter nesse momento.

Luca relata que escolas que prezaram pelo conteúdo excessivo para crianças dessa faixa de ensino durante o isolamento social sofreram bastante. “É claro que entendemos o olhar dos pais que não querem que seus filhos se ‘atrasem’, mas quando falamos de alfabetização nós não avaliamos um conteúdo específico e sim o desenvolvimento pleno e, ao entender isso, passamos a ter um enorme campo para a escola interferir com atividades ligadas à alfabetização que vão muito além de reproduzir uma letra ou um número”,  acrescenta.

 

EM TEMPOS DE ISOLAMENTO SOCIAL, COMO FICA A ALFABETIZAÇÃO DAS CRIANÇAS?

 

Dentre as atividades, o pedagogo destaca a inclusão de mais contação de histórias, leituras, recreações lúdicas e mão na massa. “A pandemia mostrou de forma mais aguda as limitações da escola puramente transmissiva. O espaço deve ser, principalmente, um local de relacionamento e é isso que deve ser priorizado, por isso pais e professores não devem se limitar no tempo que a criança está tendo aula e sim como ela está caminhando e evoluindo”, explica.

E, nesse aspecto, o apoio dos pais e responsáveis tem sido fundamental. “Se olharmos atentamente vamos encontrar crianças que se desenvolveram mais em casa do que na escola porque as famílias criaram ambientes estimulantes, em que as oportunidades para muitas atividades, como rabiscar e desenhar livremente, e o diálogo estão presentes”, diz. 

“Uma criança que tem uma família presente, que apoia mais, certamente terá um desenvolvimento diferente das que não tiveram esse incentivo”, atenta. E, para ele, esse é o ponto mais delicado que as escolas irão enfrentar no retorno das atividades.” 

Luca explica ainda que quando se fala em alfabetização e letramento há uma imensa diversificação dos caminhos, mas alerta para o risco das injustiças que eles podem causar. “Uma criança que tem uma família presente, que apoia mais, certamente terá um desenvolvimento diferente das que não tiveram esse incentivo”, atenta. E, para ele, esse é o ponto mais delicado que as escolas irão enfrentar no retorno das atividades. 

 

PRINCIPAIS DIFICULDADES NA RETOMADA DO ENSINO INFANTIL E FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS

Além de conseguir encontrar o melhor modelo sanitário para atender as crianças, Luca acredita que o principal desafio será recuperar o hábito da rotina escolar. “É possível que as crianças tenham dificuldade nessa readaptação. Por isso, manter e recuperar o convívio será o ponto central. Não podemos esquecer que a escola é, essencialmente, um local para formação de laços. Portanto, o primeiro passo deve ser repensar o que de fato é o espaço escolar para as crianças”, completa.

 

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Somado a isso, na retomada das atividades será necessário fazer o diagnóstico para entender como cada criança caminhou até o momento da retomada das aulas presenciais e, para o especialista, certamente existirão discrepâncias entre as vivências e, consequentemente, no nível de desenvolvimento que cada uma teve em relação às exigências do currículo escolar. 

O especialista conta que as crianças nunca ficaram tanto tempo longe da escola, por isso será preciso retomar esse convívio.

“É preciso tratar o que esperamos de cada criança de forma extremamente flexível, para não agravar as desigualdades que surgiram durante o período de isolamento social. A escola tem que ter um olhar mais humano que busque a integração, entendendo que não é preciso que todos façam exatamente a mesma coisa. É como numa peça de teatro onde todos tem sua função sem cumprir o mesmo papel. Cada aluno pode fazer sua parte, mas sem fazer a mesma coisa ao mesmo tempo”, exemplifica.

“As crianças possuem uma experiência riquíssima e devem compartilhá-la. Por isso a avaliação deve ser dialogar com essa criança, saber o que está marcando ela nesse período e não se concentrar apenas em saber o que ela sabe.”

Por isso, o alerta do profissional vai principalmente no que se refere à avaliação e diagnóstico. “Querer que todos tenham o mesmo desempenho de tarefas e avaliações é um retrocesso. A escola deve proporcionar um ambiente cultural rico e lúdico, em que se busque o melhor desempenho de cada criança”, destaca.

 

“Avaliar é registrar o que a criança produziu e pensar no que a criança pode fazer. É buscar o potencial de aprendizado da criança”

 

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O pedagogo faz questão de ressaltar que a alfabetização não é um processo onde a cada dia se tem uma conquista, mas sim “um processo dinâmico que acontece em saltos evolutivos. Existe uma diferença muito grande entre os indivíduos, que deve ser respeitada”. Por isso, para ele, é importante entender o que se quer com esse diagnóstico: saber o quanto a criança se desenvolveu para rotular um nível; ou enxergar o potencial, o quanto ela pode se desenvolver para incentivá-la? 

 

“Tem criança que vai ‘mal’ na escola, mas em casa escreve. O grande perigo é fazer uma avaliação puramente diagnóstica e rotular as crianças.”

 

“A avaliação não pode servir para medir apenas o que a criança já sabe e sim onde ela pode crescer, caso contrário a escola pode referendar as possíveis injustiças em relação às crianças que vivenciaram ambientes familiares menos estimulantes”, alerta.

 

QUAL CAMINHO SEGUIR? INOVAÇÃO EDUCACIONAL PARA A ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO É O CAMINHO TAMBÉM PARA AS CRIANÇAS

Entendendo a complexidade do cenário, os caminhos percorridos por cada criança, a estrutura e o apoio familiar recebidos durante esse período longe de casa e respeitando o desenvolvimento de cada uma, a escola deve buscar alternativas que incluam a experiência por elas vividas durante esse período tão diferente para todos.

“A atividade pedagógica deverá dar mais sentido ao que a criança vivenciou, a pergunta é: a escola vai dar conta de incluir essas experiências? Ou ela vai sentar todo mundo e voltar a dar aula como se nada tivesse acontecido?”, questiona, em forma de provocação.

Luca é categórico ao afirmar que a criança deve ter um espaço para se expressar, seja por meio de jogos, atividades ou ainda com a produção de texto e que a alfabetização está presente em todos esses elementos. “Vale destacar que uma coisa não deve impedir a outra: é possível utilizar uma abordagem menos diretiva e mais lúdica ao mesmo tempo em que se realiza exercícios e atividades formais. Esse formato pode inclusive acelerar a alfabetização da criança”.

Recorrer às inovações educacionais também é uma boa opção, já que com tanto tempo em casa as crianças também passaram a ter novas vivências incluídas no processo educacional.  “A Mesa Educacional é um bom exemplo porque ela é essencialmente interativa. Você pode oferecer atividades que falem desse período e incluir na Mesa as palavras obtidas das conversas e das histórias com às  crianças”, sugere.

A Mesa Educacional a que Luca se refere é uma solução tecnológica e educacional que ajuda a promover a alfabetização e letramento em Língua Portuguesa, Matemática, além do bilinguismo em Inglês e Espanhol. Grupos de criança são instigados – com animações, vídeos, recursos sonoros, realidade aumentada, material concreto e um sem fim de situações problema – a encaixar blocos com letras, símbolos, números em um módulo eletrônico e, de forma prática e interativa, testam hipóteses de aprendizagem e constroem seu conhecimento.

“Ela oferece tanto atividades rotineiras legais e divertidas, como uma chamada, quanto a possibilidade de criar novas atividades em torno das experiências vividas, portanto pode ser uma ótima solução para avaliar, diagnosticar e aproveitar as experiências das crianças permitindo atividades muito significativas para elas e, portanto, capazes de gerar aprendizagens importantes”, comenta.

A Mesa Educacional está presente em mais de 40 países e pode ajudar as escolas também no diagnóstico e avaliação das crianças.

Luca faz uma sugestão para a utilização da Mesa Educacional nessa retomada. “Por que não realizar dramatizações com histórias inventadas pelas crianças e, a partir disso, realizar  cadastros de novas palavras na Mesa? A análise destas palavras, a percepção das letras e sílabas que as compõem, possui um potencial de aprendizagem imensamente maior do que qualquer cartilha”. 

E indaga. “Não seriam atividades ricas de significado e com muito potencial não apenas para a aprendizagem da língua escrita, mas também para ajudar as crianças a expressar e a compartilhar emoções?”.

O mais importante, de acordo com o especialista, é que a escola tenha a preocupação com o ser humano e oportunize espaços de integração, de brincar, de falar, explorando a potencialidade de cada indivíduo. “A escola que não se reinventar com esse olhar vai estar jogando fora uma grande oportunidade de integrar a experiência infantil ao fazer escolar”, finaliza.

Inspire o desenvolvimento de cada aluno com um diagnóstico bem elaborado e atividades lúdicas que permitam uma alfabetização mais rica.

por | 23 / set / 20 | Giro TE, Mesa Educacional

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