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por | 27 / out / 20 | Giro TE

Entender todos os papéis que compõem o sistema educacional, a relação dos alunos com a escola, a formatação de uma pedagogia mais atual e as novas formas de se desenvolver produtos são algumas das heranças que período vai deixar

As evoluções tecnológicas estão acontecendo a uma velocidade cada vez maior, mudando e moldando o comportamento da sociedade. Se foi preciso 1879 anos depois de Cristo para que a humanidade inventasse a lâmpada elétrica e mais outros 71 anos para que as televisões chegassem no Brasil, hoje as mudanças acontecem a todo momento, de um mês para o outro.

Estudos apontam que nos próximos 20 anos todas as profissões serão impactadas pela evolução tecnológica. Algumas profissões, inclusive, deixarão de existir. Mas quando pensamos sobre a educação nesse cenário, percebemos que as transformações não acompanham o mesmo ritmo e sintonia dessa evolução.

“Há algumas décadas acontece um distanciamento entre os sistemas educacionais de todo mundo e as necessidades do aluno. Não importa o país que você esteja, todos estão passando por uma crise estrutural porque os sistemas educacionais não respondem às necessidades do mercado laboral atual, muito menos do mercado laboral futuro. Por isso, existe um gap cada vez maior entre as necessidades do aluno e o que os sistemas proporcionam”, alerta a Doutora Lea Cecilia Waismann, especialista sobre o impacto da tecnologia de ponta e da cultura da Internet na maneira como as novas gerações aprendem e se relacionam com o sistema educacional.

A suspensão das aulas em todo o mundo para desacelerar a propagação da Covid-19, movimentou o segmento da educação e expôs, ainda mais, a deficiência do modelo atual em atender essa nova geração.

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“Com a pandemia os alunos tiveram que, de repente, enfrentar um distanciamento físico do sistema educacional. E o ‘medo’ é que, de alguma maneira, exista uma validação do sentimento que os alunos já tinham de que a escola não os atende mais”, explica.

Mas para Cecília existe um lado bom em toda essa história: as novas gerações estão buscando suas próprias soluções. “Diversos estudos mostram que eles [os jovens] estão aprendendo e aprendendo muito, contudo eles não identificam que o que aprendem fora da escola é também aprendizado”, comenta.

Ao mesmo tempo, a doutora também acredita que a distância dos estabelecimentos de ensino fará com que os alunos entendam o valor do sistema educacional. “Alguns levantamentos mostram que os alunos começaram a perceber que o colégio proporciona uma certa organização do aprendizado e que a escola tem um valor não só social – que sempre foi o valor reconhecido pelo aluno – mas, mais que isso, ele percebe que as coisas que mesmo as coisas que ele gostaria de aprender precisam de uma certa estrutura e a escola oferece isso”, destaca.

RELAÇÃO DOS PAIS NO PROCESSO DE APRENDIZADO

Outro elemento importante são os pais. Segundo Cecília, todos os estudos mostram que os eles também não acreditam nos sistemas educacionais. 

“Os pais se tornaram muito críticos do sistema. Porém, hoje eles estão tendo que enfrentar isso, não apenas ficar em casa, mas também ajudar os filhos. Toda essa órbita que o colégio dava agora são os pais que estão precisando ofertar. Então eles também estão tendo uma visão muito diferente da função da escola e do professor”, acrescenta.

A doutora completa dizendo que esse movimento deve mudar a relação da escola com os pais e também o entendimento deles do que é o sistema educativo.

APRIMORA TEM AJUDADO AS ESCOLAS EM TEMPOS DE AULAS A DISTÂNCIA

A MODERNIZAÇÃO DAS EMPRESAS EDUCACIONAIS

Para além dos alunos, a Covid-19 tem mostrado que o sistema educacional é composto por vários elementos importantes: aluno, pais, professor e indústria.

Cecília acredita que a pandemia tem sido um grande laboratório para que todos esses elementos possam se desafiar. “Fomos obrigados a enfrentar o que é a educação puramente online, vivenciar na prática e perceber que a educação com a base em casa não era exatamente o que se idealizada. O momento nos permite experimentar e desenvolver soluções muito mais adequadas ao mundo que a gente vive”, constata.

Mas, para isso, ela defende que é preciso se desprender das formas tradicionais como a indústria desenvolve suas soluções. “Se você queria o livro de matemática, por exemplo, você colocava vários professores de matemática numa sala para que eles decidem o conteúdo, depois passava para um designer e pronto. Entretanto, hoje em dia não é mais possível desenvolver um produto desta forma. Desde a criação você precisa incluir todas as pessoas no processo: desenvolvedores, designers, matemáticos e também o aluno para que juntos possam colocar seu olhar, necessidades e que, no final, o produto faça sentido para o público final, que é o aluno e não apenas o professor”, explica.

A doutora em educação ainda reforça que uma das do colégio ter se tornar obsoleto é que o principal produto dele é o livro. “E quando se criou o digital, o que fizemos? Levamos o livro para dentro do computador, mas na realidade a pedagogia continua exatamente igual. Não se mudou a maneira de aprender. Simplesmente pegamos o livro e inserimos no computador para o aluno interagir”, comenta.

O fato é que esse período deve ser encarado pela engrenagem educacional como um momento de grandes oportunidades. “Os professores, por exemplo, estão ganhando uma oportunidade de reinventarem. E a indústria, que proporciona o material educativo, está tendo a chance de entender muito melhor o que é a educação digital”, incentiva. Essa é uma das maneiras que Cecília acredita ser possível para modernizar as escolas. 

Especializada no aluno digital, o MindCet, empresa de Israel da qual Cecília é vice-presidente, acelerou o processo de pesquisas e desenvolvimento para desenvolver formas criar soluções e de trabalhar no mundo digital. “Reunimos vários tipos de profissionais: professores, desenvolvedores de produto, designers e também os alunos. Criamos maratonas digitais de 20 horas cada para que as equipes trabalhassem juntas e criassem e testassem soluções rápidas”, conta.

O MindCet também abriu as portas para reunir líderes de Edtechs – soluções educacionais – de todo o mundo para compartilhar os problemas e as soluções que estão sendo encontradas. “Educadores e alunos falam diretamente com a gente assim entendemos o problema, trazemos a equipe e conseguimos propor soluções”, explica.

Para ela a indústria – de uma maneira geral – está mais ativa e tem a chance de atuar na criação dos seus produtos sem ter que passar pela escola, buscando entender diretamente o professor, os alunos e os pais. “Precisamos encarar o fim da tecnologia da educação e o surgimento da pedagogia da relação máquina – ser humano”, destaca.

 

O FIM DA EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA E O COMEÇO DE UM NOVO MOMENTO 

Cecília explica que há um afastamento na forma como a tecnologia integra a nossa vida e a maneira como a escola inclui a tecnologia no seu dia a dia. “A realidade é que em casa os alunos lidam com máquinas inteligentes e quando entram na sala de aula e começam a utilizar a tecnologia de uma maneira totalmente obsoleta. Precisamos terminar com o que se chamou de educação tecnológica –  que era a tecnologia a serviço do ser humano, como instrumento – e criar uma pedagogia que fale da realidade do mundo proporcionando uma relação simbiótica entre máquinas inteligentes e seres humanos”, defende.

A doutora continua explicando que existem várias maneiras de aprendizagem adaptativa e que, de todas as indústrias do mundo, a da educação está menos avançada em relação às máquinas adaptativas. “Quando as máquinas se adequarem as soluções pedagógicas poderemos oferecer para cada aluno uma experiência de acordo com sua forma de aprender. Por exemplo, em uma sala com 30 alunos, cada um deles vai receber uma experiência para interagir com a máquina totalmente adaptada e personalizada”, conta,

Toda essa experiência tem servido para acelerar o futuro da educação que muito se debatia, na ótica de Cecília. “Quando voltarmos para a escola física vamos ser mais conhecedores da realidade do mundo.  Precisamos criar uma pedagogia que se adeque a realidade que vivemos hoje e Relação simbiótica com os seres humanos”, finaliza.

A Tecnologia Educacional oferece soluções inovadoras que enriquecem o processo de ensino-aprendizagem e transformam a sala de aula em um ambiente estimulante e desafiador.

por | 27 / out / 20 | Giro TE