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por | 21 / out / 20 | Artigos, Giro TE

* Rebeca Barbalat

Todo o processo pandêmico tem proporcionado, quase que obrigatoriamente, a evolução ou disrupção de vários setores e segmentos, o que traz novos modelos de negócio e formas de consumo. Reconduzir o modo de pensar de alguns mercados é fundamental, sobretudo para aqueles que foram diretamente impactados pelas medidas de distanciamento social e agora olham com muita atenção para critérios de saúde, biossegurança e economia.

O setor da educação se transformou para superar a pandemia com as aulas remotas, novas ferramentas e soluções tecnológicas, que aceleraram o processo de adoção de um conceito que já se discutia muito, a Educação 4.0. Numa segunda fase do processo do vírus no país, escolas públicas e privadas iniciam discussões sobre a retomada das aulas presenciais, mas o tema de grande debate que emerge é a remodelagem do entendimento da escola como estrutura física, negócio e centro único disseminador do conhecimento.

As escolas ampliaram o próprio alcance, além da estrutura física, com o novo coronavírus. Esta é a realidade no mundo todo. Muitos dizem que se aproxima a Educação 5.0, que vai se concentrar no protagonismo dos atores da comunidade escolar contando com apoio da tecnologia.

O fato é que dirigentes de escolas não podem garantir a saúde de todos que circulam nas instituições antes da vacina ou de medicamentos que comprovadamente são eficazes contra o vírus, assim como famílias podem não estar seguras de enviar os estudantes para as aulas. O Ministério da Educação já publicou no Diário Oficial da União que é facultativa a retomada de aulas presenciais em 2020, aliás. Isso já amplia as possibilidades de se continuar em ensino remoto o restante do ano letivo para garantir o distanciamento e a redução da transmissibilidade da doença. Muitos entendem essa medida como proteção da comunidade escolar como um todo.

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Estes meses de aulas remotas revelaram uma capacidade importante de reciclagem dos professores, adaptação das escolas, aderência às tecnologias até então mais distantes da sala de aula, além de um corpo estudantil interessado nesse novo modelo. Escolas públicas e privadas se viram demandadas severamente a fim de entregar um serviço de qualidade e não excludente em função de estrutura domiciliar necessária para receber e acompanhar os conteúdos. Os estudantes aceitaram as aulas a distância, mas subiram a régua da exigência. Perceberam que há modos mais flexíveis de aprendizagem e que há mecanismos mais instigantes e engajadores.

Os estudos em casa também revelaram, em definitivo, que a educação não está restrita às dependências da escola. É possível aprender de outras várias maneiras. Os debates dos dirigentes e profissionais do setor indicam que novas escolas devem surgir nos próximos anos, em novos formatos. Até o termo micro school já é bastante mencionado, que seria um modelo de núcleo educacional com número de alunos bem reduzido e que funciona em outros ambientes, como condomínios e vilas, por exemplo.

Essas novas modelagens do que é uma escola ou um local de aprendizagem também está sendo motivado pela conjuntura econômica. Este é um momento desafiador para a educação. O novo entendimento proporciona uma revisão de custos e despesas do negócio escolar, passando, inclusive, pelo corpo docente, que pode ser composto por novos perfis e funções pedagógicas de acordo com as habilidades, propostas e modelos de aulas. Os fóruns dão conta de que pode surgir até mesmo uma ampliação do mercado, com mais vagas de trabalho a partir dessas novas ideias. Pode trazer professores-tutores e call center de dúvidas acadêmicas. Classes on-line, por exemplo, geram a necessidade de professores que cativam e engajam ainda mais os estudantes em aulas-show.

É bastante difícil ter total entendimento da situação quando se está ainda no meio do furacão. Mas, espera-se que até o próximo ano letivo, gestores públicos já terão definido seus protocolos definitivos para aulas presenciais e quais foram as lições aprendidas nesse período no ensino e na gestão da educação pública para aprimoramento e evolução. Da mesma forma, as escolas particulares também estão fazendo as avaliações para retomada física e o reposicionamento das estratégias como empresas. É a primeira vez que os pais têm acesso completo ao serviço que compram. Tal realidade tem exigido uma análise cautelosa das instituições privadas para entregar ensino com qualidade e transparência assim como dos demais profissionais ligados à escola: psicopedagogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Enfim, a partir deste período da covid-19 muitas transformações precisam ou devem acontecer para se adequar às questões inerentes à conjuntura crítica e ou gerada pela crise. A educação não pode ficar à margem e tem, na verdade, uma grande oportunidade. O setor tem plenas condições de liderar a condução desse processo evolutivo da sociedade baseado em empatia, coletividade e compartilhamento, a partir do legado da pandemia.

* Rebeca Barbalat é diretora de produtos da unidade de tecnologias educacionais da Positivo

A Tecnologia Educacional oferece soluções inovadoras que enriquecem o processo de ensino-aprendizagem e transformam a sala de aula em um ambiente estimulante e desafiador.

por | 21 / out / 20 | Artigos, Giro TE