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Educação pós-pandemia: a escola e a tecnologia

por | 19 / jan / 21 | Artigos, Giro TE

Por Edson Oliveira Hecke Santos

Vivemos a experiência de tempos confusos, recorrentes em períodos de transição entre as diferentes formas de se viver em sociedade. O ano de 2020 iniciou com um desafio que a educação brasileira apenas ensaiava, mais especificamente nos sistemas de ensino. As tecnologias como auxílio e suporte no processo de ensino-aprendizagem, que até pouco tempo atrás eram tidas como distrações em sala de aula, se transformaram no centro de apoio incomensurável para os diversos públicos envolvidos. A pandemia causada pelo novo coronavírus impulsionou um inegável esforço de profissionais da educação para manter o interesse e o engajamento dos alunos visando à construção do conhecimento.

Houve muitos acertos, tanto na escola pública como na escola privada, com realidades que ainda se mostram significativas, mas que deram passos importantes para o que clamava Manuel Castells em sua obra Sociedade em Rede, na qual o autor apontava os caminhos que a sociedade seguiria, não apenas globalizada, informatizada, mas capaz de agir em instantes às informações a que somos expostos.

 
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No Brasil, apesar das previsões de uso de tecnologias e plataformas digitais, indicado nos documentos norteadores para a composição de materiais pedagógicos, como a Base Nacional Comum Curricular, na prática, as escolas viviam, salvo raras exceções, uma tecnologia rudimentar, cujos conteúdos disponíveis eram ou a repetição do livro de forma animada, ou atividades desconexas e com pouco a agregar no avanço do aluno.

Professores e produtores de conteúdo assumiram a responsabilidade de possibilitar o acesso aos estudantes e desenvolveram aulas interativas, dominaram as plataformas de videoconferência, elaborando atividades on e off-line, estimulando a criatividade de forma colaborativa e interdisciplinar. O preço pago foram noites maldormidas, cansaço e stress, muito stress, mas também a recompensa de perceber o acesso e o interesse dos alunos na evolução do saber. 

Longe de pintarmos um arco-íris no cenário da evolução tecnológica da educação, é preciso ter os pés no chão e entender que saímos das trevas acinzentadas e atravessamos a tempestade. Gestores educacionais, alinhados com as demandas de uma educação que busca verdadeira transformação da sociedade para melhor, já implementam, há algum tempo, projetos, programas, soluções, metodologias e recursos tecnológicos ao cotidiano de suas escolas. Mas ainda há garoa e a continuidade gradativa de atualização docente e de profissionais envolvidos na educação permitirá que, num futuro próximo, tenhamos uma sociedade mais engajada, responsável e ciente de onde e como buscar informações, utilizando a tecnologia em favor do conhecimento. 

É preciso lembrar que a elaboração de uma aula não consiste apenas no domínio técnico, mas também num posicionamento político, social e econômico. Assim a construção do saber didático se constitui de expectativas, antecipação e memória dos alunos que fomos e dos professores que tivemos. Todavia, parte da premissa de que a elaboração de uma aula com qualidade requer uma boa formação inicial e continuada, contrária àquelas práticas centralizadas apenas no quadro de giz e no livro didático, muitas vezes relacionando fatos e conceitos de forma mecânica, sem considerar a totalidade. 

 
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Nesse contexto, o processo de inovação tecnológica demanda uma maior qualificação dos profissionais de educação e de suas práticas, buscando novas perspectivas no sistema educacional e exigindo uma nova postura da escola, na forma de organização do trabalho pedagógico, que promova a integração entre o seu cotidiano e os componentes curriculares com uso de tecnologias na escola de maneira mais ampla e nas salas de aula. Porém, muitas vezes o modelo de ensino do qual esse professor faz parte está baseado na fragmentação e na compartimentalização do conhecimento, dificultando a aplicação dos recursos digitais. Por que preciso aprender isso?

Centro do processo educativo, os alunos da Geração P (de pandemia) já demonstram altos níveis de compreensão das complexas relações sociais em contextos locais, regionais, nacionais e internacionais. São alunos globais com entendimento sobre diversas áreas do conhecimento, em níveis acima daqueles que se imaginava poucos anos atrás, conhecimentos esses antes “regulados” pela organização do currículo escolar em suas etapas do ensino sistematizado. O impulso da educação provocado pela pandemia carrega um desafio histórico para a escola: acompanhar o ritmo do avanço dos alunos. 

A garantia de acesso à educação de qualidade está definitivamente atrelada aos conceitos da Educação 4.0, um modelo de educação que visa ao protagonismo do aluno, ou seja, torná-lo capaz de transformar suas ideias em realidade; capaz de ampliar o pensamento crítico; capaz de relacionar-se harmonicamente consigo mesmo e com o outro; capaz de colaborar nos trabalhos em grupo; capaz de lidar com o erro como oportunidade de aprendizado e, consequentemente, um aluno capaz de ser feliz num mundo tão diverso e cheio de desafios cada vez mais complexos.

Nesse sentido, pesquisas sobre o processo de uso e apropriação das tecnologias se fazem necessárias, considerando a complexidade do tema. Essa complexidade diz respeito ao modo como o professor articula a relação entre a técnica e o pedagógico, ao se deparar com o uso das tecnologias educacionais. Assim o cenário pós-pandemia indica a necessidade de aprofundar questões entre escola, ensino, cultura e tecnologia, sobretudo em nível epistemológico, teórico e metodológico a fim de romper com a adaptação que muitos professores fazem da tecnologia digital à didática tradicional. 

A educação de um futuro que já chegou está em nossas mãos!

Edson Oliveira Hecke Santos é coordenador da equipe de Key Account Managers no desenvolvimento de projetos de aprimoramentos na educação da Tecnologia Educacional. 

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